UMA GRANDE SINFONIA DE ORAÇÃO NO JUBILEU DA IGREJA – EM NOME DO PAI… A PORTA DA ORAÇÃO CRISTÃ
- Adma Don Bosco
- 5 de jan.
- 4 min de leitura
A arte da oração.
É um fato. Não existe vida cristã onde não há oração: sem oração não se progride nas coisas do espírito, nem se empreendem obras autenticamente apostólicas, que são a edificação eficaz da Igreja. Existem vários tipos de oração cristã, entre os quais: a oração vocal, a chamada oração mental (meditação), a adoração e a oração contemplativa, também chamada de oração do coração. A própria oração litúrgica beneficiar-se-á muito deste tecido orante cultivado nas mais variadas formas, segundo o que permite o contexto do momento e as disposições interiores de quem reza. Na verdade, não existe situação existencial que não possa ser fecundamente transformada em oração, e esta é uma ótima notícia!
Independentemente das formas concretas que assuma de vez em quando, a oração cristã é a realização da nossa relação filial com Deus, é vivência com o nosso Esposo e Mestre, é se entreter com os anjos e os santos, sob o olhar benevolente de Maria. Orar é estar diante da Presença divina, que já nos habita pela graça; é verdadeiramente uma antecipação da vida celestial, na forma mais elevada permitida nesta terra.
No caminho deste ano concentrar-nos-emos em particular na oração vocal, isto é, aquela que se realiza através da recitação de textos já preparados, e frequentemente usados por gerações de fiéis que nos precederam. A oração vocal conserva absoluta dignidade e grande fecundidade. Se praticada corretamente, com a devida atenção e apropriação pessoal do que é recitado, a oração vocal não prejudica em nada a relação pessoal com Deus, mas antes, ajuda a mantê-la viva ao longo do dia, pontuando o desenrolar do dia (e da noite!) de tantos pequenos “compromissos divinos”, que são o segredo da união com Deus. Para ser verdadeiramente eficaz, a oração vocal, de fato, pressupõe uma certa união com Deus que podemos chamar de oração abrangente: é o desejo de estar com Ele, de viver habitualmente em sua presença, de manifestar-lhe, com naturalidade, o que acontece em nós e ao nosso redor.
É, portanto, uma graça que orações bem formuladas e praticadas durante muito tempo pelos crentes, nos sejam postas à disposição, para nos ajudar a dizer a Deus o que talvez seríamos incapazes de verbalizar ou mesmo apenas imaginar. Assim, aos poucos, a gente se sente familiarizado com um texto que inicialmente nos parecera quase estranho. Ao praticá-lo, aquele texto passa a ser “nosso”, passa a falar à vida e, ao mesmo tempo, coloca na nossa boca as palavras certas para falar com Deus sobre o assunto mais importante de todos: a nossa saúde espiritual.
As orações comuns do cristão oferecem, portanto, uma autêntica escola de oração, segura porque garantida pela Igreja, inesgotável porque beiram o mistério de Deus.
São verdadeiramente o tesouro dos pequenos e dos pobres, porque transmitem intacta a fé, que é o bem maior que temos, e propõem as grandes verdades do cristianismo em forma de oração. Trata-se de orações que os cristãos passaram de mão em mão por gerações, imprimindo-lhes a sensibilidade de cada língua e cultura. As suas vozes ressoam nas nossas, quando rezamos estes textos, em um comovente sentido de continuidade que é um reflexo da universalidade da Igreja.
Ao recitar estas orações, a pessoa se sente em casa. Talvez porque foram aprendidas quando crianças e, por isso, transmitem um sentido de lar, de intimidade, que se presta bem à recitação comum em família.

O fato de conhecê-las de cor oferece, então, a vantagem de poder revisar com calma esses textos, “ruminando-os” na meditação pessoal, para que assim liberem suas fragrâncias espirituais. São as orações dos pequenos, portanto de quem realmente quer ser um pequeno de Jesus, um pobre de espírito. São a herança de nós, cristãos, sinal de unidade e de igualdade batismal entre todos os fiéis.
Sem escrúpulos, portanto. Não é necessário “esgotar” estas orações cada vez que as recitamos, como se tivéssemos que prestar atenção a cada detalhe para poder fazer uma boa oração. O tesouro continua sendo nosso, e mesmo aquilo que não conseguimos compreender hoje, ou que apenas intuímos, permanecerá à nossa disposição para o futuro. Às vezes basta uma pequena ideia para alegrar um dia ou revelar uma verdade que estava ali, sem que nunca tivéssemos prestado atenção a ela.
Em nome do Pai...
Geralmente a qualidade da oração depende em grande parte de como se dispõe dela. Os momentos que precedem a própria oração, os de preparação imediata, são decisivos para recuperar a alma e antecipar possíveis dificuldades ou distrações.
O sinal da cruz é tradicionalmente o portal de entrada na oração. Recorda-nos antes de tudo que estamos na presença de Deus. Este sentido da presença de Deus e da sua majestade é o grande segredo da oração, que lhe confere o tom familiar do diálogo, sem perder a sua extrema seriedade. O sinal da cruz, traçado com devoção no próprio corpo, recorda-nos antes de tudo quem é Aquele a quem nos dirigimos: é o Criador do universo, o Governante providente do universo, o Redentor que sacrificou a si mesmo na cruz.

Por isso reproduzimos o sinal da cruz no nosso corpo, quase fisicamente “entrando nele”. É o abraço de Deus na nossa vida, é o penhor do amor inabalável do Senhor, que custou a paixão de Jesus. É o distintivo de nós, cristãos, que de fato nos foi entregue no próprio dia do nosso Batismo.
O sinal da cruz marca as etapas fundamentais da nossa vida; podemos reproduzi-lo em nós mesmos todos os dias, quando nos levantamos e ao irmos dormir, antes das refeições ou antes de viajar; mas também podemos traçar o sinal da cruz nos outros como um sinal de bênção, sobretudo nos filhos.
É um programa de vida, o nosso querido sinal da cruz. Com ele tocamos, de maneira ideal, a sede das nossas faculdades: mente (cabeça), vontade (coração), capacidades operacionais (ombros), de modo que toda a nossa pessoa se torne um espaço de encontro com as Pessoas divinas da SS. Trindade.
As alturas da oração são alcançadas mais facilmente se seguirmos o caminho comum, aquele indicado pelas práticas simples, quase modestas, mas capazes de salvaguardar o precioso tesouro da fé. Assim é o sinal da cruz, porta da oração cristã. Aprender a fazer o sinal da cruz, deixar ressoar em você a riqueza que ele traz, significa aprender a rezar. E aprender a rezar significa ser cristão, sério.
Pe. Marco Panero, SDB



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